ADRIANABARRETO
 
Adriana Barreto: Agora Sim
o que pode um corpo

O trabalho de Adriana Barreto tem como vetor o corpo. Todo seu repertorio decorre do entrosamento da dança com as artes visuais, de seus conceitos, matérias e materiais.

A artista vem ao longo dos últimos anos desenvolvendo obras que migram de uma estética para outra, miscigenando-as. Transita por suas obras elementos da dança, das artes visuais, do teatro, da musica, mas principalmente, da vontade de experimentação, característica do fazer contemporâneo. Nesta exposição, Adriana apresenta obra imersiva agregando a arquitetura, a imagem, o som, o movimento, o tempo e a memória.

O gestual que Adriana apresenta nas fotos e projeções materializa o gesto perdido, esquecido. É esse gesto que implementa nossas ações cotidianas; estar aqui ou ali, fazer isto ou aquilo, coisas às quais o corpo é impelido, sem que pensemos na reciprocidade que cada gesto convoca. Buscar certa consciência sobre o corpo já é alguma coisa que ajuda-nos a elevar o cotidiano de um mero passar das horas a um modo pouco mais independente de operar essas mesmas horas. Não por acaso, a artista tem declarado que o que faz "é em parte fragmentos elementares da consciência prematura do corpo que a dança me proporcionou quando ainda criança" depois pelas suas experiências pessoais de libertação da normatização que a mesma dança lhe impôs. Deste modo, e como poucos, os artistas que vem da dança sabem muito mais sobre o corpo do que aqueles que tentaram chegar ao corpo sem tê-lo experimentado na sua educação muscular e afetiva. Deste modo, sua posição em relação à "performance" e à "body art" revela que o corpo é muito mais do já foi visto até então nas artes visuais.

A memória da ação, do trajeto, de nossa passagem pelo mundo, é fixada por marcações que revelam o espaço mais real como puro devir.


Rio de Janeiro, 2012
Alberto Saraiva e Zalinda Cartaxo.